Considero José Serra uma frustração dupla. Tem vergonha ou não tem coragem de assumir publicamente seu ponto de vista sobre o funcionarismo público e nega a importância das privatizações para o desenvolvimento e modernização da economia.
Enquanto o governo Lula aparelhou desenfreadamente à máquina - Isto também é muito preocupante, mas não será analisado agora - , Serra fez o oposto no Estado de SP. A área da saúde foi intensamente terceirizada: limpeza, atendimento, gestão de unidades de atendimento e hospitais... Este processo - terceirização - resultou em sensível melhora nas condições do atendimento ao paciente, porém a situação está longe de ser considerada ótima ou ideal. Persistem o descaso no trato com paciente, a falta de médicos especializados, entre outras muitas mazelas da saúde pública brasileira.
Enquanto o governo Lula aparelhou desenfreadamente à máquina - Isto também é muito preocupante, mas não será analisado agora - , Serra fez o oposto no Estado de SP. A área da saúde foi intensamente terceirizada: limpeza, atendimento, gestão de unidades de atendimento e hospitais... Este processo - terceirização - resultou em sensível melhora nas condições do atendimento ao paciente, porém a situação está longe de ser considerada ótima ou ideal. Persistem o descaso no trato com paciente, a falta de médicos especializados, entre outras muitas mazelas da saúde pública brasileira.
Pergunto: Dado o caos da situação anterior, terceirizar foi a melhor solução, a mais fácil , a menos cara?
A terceirização tem por finalidade possibilitar que organizações públicas ou privadas maximizem a qualidade de seus produtos finais ao focarem-se nos processos críticos de sua atividade fim, delegando atividades e processos que não estejam diretamente ligados ao produto final.
Teoricamente a terceirização é maravilhosa e pode funcionar muito bem, contudo um processo vital ao sucesso da terceirização compreende a seleção dos prestadores de serviços, a criação de contratos que funcionem e a fiscalização da operação, aí reside o problema na maioria dos casos, pois empresas, órgãos e governos como o de São Paulo comportam-se de forma preguiçosa e negligente em relação ao processo de implantação da terceirização. A impressão que tenho é de que o governo age como quem simplesmente quer livrar-se de um problema para o qual não é competente o suficiente para resolver e transfere a "batata quente" para o primeiro que aparece, nem preciso falar dos favores pessoais e nada profissionais que influenciam na contratação dos prestadores de serviços. Corrupção? Não... em São Paulo nunca.
Infelizmente, existe no Brasil a cultura de que o emprego público equivale, na prática, à estabilidade, tranquilidade no trabalho e pouco compromentimento com resultados, menos ainda com os clientes. Cliente? Ainda aqui, existe a absurda imposição legal de que desacato ao funcionário público é crime, ora, o desacato ao cliente também o é, segundo o código de defesa do consumidor, mas os funcionários públicos não nos enxergam como clientes... somos pedintes de seus péssimos serviços prestados. Existem excessões, é claro, mas bem sabemos que excelência não é regra para a grande maioria dos funcionários públicos brasileiros. Não porque eles sejam incopetentes ou sejam pessoas más, nada disso, se nos prestam um serviço de má qualidade isto deve-se primeiramente à característica das lideranças que controlam as estatais, instituições e outros órgãos públicos brasileiros. Estas lideranças, em grande parte indicadas por critérios pessoais e políticos não possuem formação, cultura ou vontade para construir organizações melhores e potencializar seus resultados.
É neste ponto que entra em cena a importância das privatizações e a terceirização de determinados setores da indústria e serviços públicos, bem como de sua gestão e operação.
Esta possbilidade é muito críticada porque submete à idéia de que privatização e terceirização é igual a desemprego. Isto não é necessariamente verdade, quando acontece, a justificativa pode ser clara: se existe excesso de contingente, deve ser eliminado. Se uma empresa estatal não atinge seus objetivos estratégicos e operacionais, torna-se um elefante branco e muito caro aos cofres públicos, portanto deve ser vendida. O que pensar sobre os Correios?
Sim, pessoas inocentes podem perder seus empregos e isto de fato é doloroso, contudo, vivemos em um mundo onde única certeza é a de que as coisas podem mudar a qualquer momento. Ainda me referindo àqueles que infelizmente perdem seus empregos por ocasião das privatizações e terceirizações cabe destacar que não teriam sido contratados caso a gestão das instituições para as quais foram contratados estivesse alinhada com princípios básicos de racionalização de processos, bom uso da tecnologia e foco na eficiência e eficácia operacionais.
O problema é sistêmico e não pode ser resumido à privatizar, terceirizar e demitir funcionários públicos. Pensar desta forma, aliás, isto é não pensar e sim ter um comportamento irresponsável em relação ao funcionamento do sistema.
Voltando à análise sobre José Serra, é deprimente ver um sujeito que presta-se a representar a elite brasileira - Me refiro à elite cultural, de princípios, pensante. Nada a ver com ter ou não dinheiro - comportar-se de forma tão tosca e contraditória.
Da forma como está agindo ele tende a causar um colapso no sistema, a gerar conflitos e rupturas insanas que poderiam sem dúvidas serem evitados se o candidato tivesse o perfil de alguém que enfrenta os problemas de frente e de forma responsável.
José Serra é vaidoso, não quer trabalhar pelo país. Como diz a música: Fala demais, mas não tem nada a dizer.
Nenhum comentário:
Postar um comentário