domingo, 21 de março de 2010

O STF, Ayres Britto, Arruda e o senso comum

Imagem: STF, Arruda, Ayres Britto, Manifestação contra Arruda, Toffoli e Lula juntos


"Há quem chegue às maiores alturas para fazer as maiores baixezas" - Ayres Britto, Ministro do STF.

Ao longo dos últimos meses fomos estarrecidos pelas notícias veiculadas sobre o Ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, perplexos mais uma vez reviramos-nos sobre o conforto de nossa poltrona em frente a TV e mais uma vez repetimos frases como: "É o fim da picada", "Este país não tem jeito", "Os políticos deveriam morrer", "É absurdo que este bandido [Arruda] continue em liberdade", "Onde está a justiça deste país?".


Particularmente acredito que o Distrito Federal sofreu pouco nas mãos deste, que para mim é o mais triste exemplo do tipo de gente que os brasileiros tem eleito para representá-los. Há muito tempo está claro que Arruda não é um homem digno, por tanto tê-lo eleito foi literalmente uma autorização para a bandidagem nos bastidores do governo no DF, logo, os danos contra os cofres públicos e a população do DF deveriam ser, a meu ver, piores, pois como diz o velho ditado " quando a cabeça não pensa o corpo padece".


O mais recente caso de corrupção envolvendo Arruda indignou o Brasil e a população do DF de tal forma que surgiram manifestações populares como há muito tempo não se via. Jovens e estudantes foram as ruas (em menor número do que se esperava, face às dimensões do escândalo), pessoas de todos os níveis da sociedade manifestaram sua opinião indignada e alguns protestos relativamente importantes ocorreram no DF... O clamor popular.


Ao longo dos meses pelos quais se estendia a lastimável situação no DF Arruda não nos poupou de ouvir suas desprezíveis palavras e tampouco refreou-se ... Pediu desculpas, afirmou ser perseguido, manipulou dados, pressionou autoridades. Enquanto isso a revolta crescia na população e os brados por justiça podiam ser ouvidos, lidos e vistos por todos os lados, ainda que, reitero, aquém do que seria feito por populações politicamente mais ativas que nós, brasileiros. Coube ao judiciário dar sinal de vida e como poder da nação, atender ao senso comum: Está evidente e comprovado que arruda cometeu crimes, precisa ser punido, deve ser afastado do poder, não é digno da posição que ocupa, representa perigo contra o povo.


O STF personificou o senso comum e acalmou os ânimos da nação ao determinar a prisão e posteriormente manter Arruda preso ao rejeitar o pedido de Habeas corpus de Arruda.
Ao votar pela permanência de Arruda na prisão, durante o julgamento do Habeas corpus, o Ministro Carlos Ayres Britto manifestou-se de maneira exemplar, notável e inesquecível para o Brasil:
"Dói em cada um de nós, na alma e no coração, ver um governador sair do palácio para a cadeia. Acabrunha o páis como um todo e constrange cada um de nós como seres humanos. Há quem chegue às maiores alturas para cometer as maiores baixezas"
O STF negou por 9 votos contra 1, o pedido de Habeas corpus de Arruda. Sabem de quem foi o voto contra o senso? O único voto a favor do Habeas corpus partiu de José Antonio Dias Toffoli, o recém e polêmico Ministro do STF indicado diretamente pelo presidente Lula. Lembram-se das discussões em torno de Toffoli, pois é... ele decepcionou mesmo. Uma marionete no STF, o julgamento do mensalão petista se aproxima...



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